Com a minha voz clamei ao SENHOR, e ouviu-me desde o seu santo monte. Salmos 3:4

A contrição é o oposto da autonomia 2

Como lemos na semana passada, o chamado à contrição não é um convite, Atos 17.30.

O arrependimento, a “dor” no coração pelo pecado é uma ordem do próprio Deus, é uma exigência que ele faz a todos os homens sem exceção. E por que Deus exige tal coisa? Por aquilo que o pecado é em si mesmo. Pecado não é simplesmente um erro, um tropeço, um equívoco. A natureza do pecado é maliciosa, é um ataque à santidade e à autoridade do Senhor. É uma afronta a sua vontade; um ato de rebeldia deliberada contra seu senhorio. Todo pecado se traduz em desprezo pela santidade e pelo caráter justo e perfeito de Deus.

Para os cristãos a contrição possui alguns passos fundamentais para continuar gozando dos privilégios da intimidade do Senhor e usufruir de suas bênçãos e de sua amizade. O primeiro passo é o reconhecimento de ter pecado, de ter feito o mal aos olhos de Deus e ter ofendido a majestade nos céus. Não importa se o pecado foi cometido no meu corpo, ou contra o próximo, sua honra, seus bens ou seu corpo. Todo pecado é contra Deus, sua lei moral e sua santidade em última instância.

Reconhecido o pecado, o segundo passo é deixar-se tomar pela tristeza de ter pecado. Chorar o pecado é garantia de ter reconhecido a natureza vil do ato e a injustiça criminosa contra Deus. Chorar o pecado é uma prova inconteste de amor pelo Senhor que nos amou primeiro e gratuitamente, e que não merecia ser ultrajado e desprezado em nossa desobediência.

Chorado o pecado, agora é preciso confessá-lo. Pecado tem nome e se faz necessário nominá-lo diante de Deus, isentando Deus de qualquer cumplicidade e assumindo a autoria, sem transferência de culpa, “Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue. Contra ti, só contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me”, Salmo 51.3-4.

Confessado o pecado é preciso abandoná-lo. É preciso banir o pecado de nossa vida e pedir a Deus a graça de não mais voltar a pecar, a cometer o mesmo pecado. A resolução de não mais pecar está no centro da contrição, faz parte de sua essência.

Por último, se faz necessário reparar o malfeito. A reparação é um ato de bondade, de justiça e de amor, principalmente quando o pecado envolve um irmão, o próximo.

Amados, todos esses passos que envolvem a contrição do coração são inócuos, para não dizer, impossíveis ao salvo, a qualquer um na verdade, se a boa graça de Deus não nos mover para isso. Pedir a Deus que nos quebrante e que seu Espírito nos conduza é um gesto de extrema necessidade: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conheces os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno”, Salmo 139.23-24.