Com a minha voz clamei ao SENHOR, e ouviu-me desde o seu santo monte. Salmos 3:4

Mãe de Deus

Mãe de Deus

Este título foi conferido a Maria, mãe de Jesus, no Concílio de Éfeso, em 431. Um bispo chamado Nestório, que acabou deposto pelo Concílio, achava difícil aceitar que a criança nascida de Maria era “Deus”. Nestório recusou-se descrever Maria como “Mãe de Deus” como ela era comumente chamada para enfatizar a divindade de Cristo. O concílio decretou que o título podia ser dado a Maria, porque Jesus fora concebido pelo Espírito Santo e, portanto, era “Deus” desde o momento da sua concepção.

Infelizmente, o termo passou a ser considerado expressão de exaltação a Maria e, por isso, falsas ideias a respeito de Maria, originalmente elaboradas pelos gnósticos e por uma seita conhecida como os coliridianos, foram retomadas pela própria Igreja, abrindo-se caminho para a adoração a Maria, em especial na Igreja Católica Romana.

No Novo Testamento Maria é frequentemente indicada como “mãe de Jesus”, João 2.1 e Atos 1.14, mas os católicos justificam o uso da expressão theotokos, “Mãe de Deus”, citando Lucas 1.43. Porém, há grave erro na tradução e na interpretação do termo theotokos, visto que Isabel saúda a Maria como a “mãe do meu Senhor” e não como a “Mãe de Deus”.

Não podemos negar que Maria recebeu graça especial da parte de Deus sendo escolhida para conceber Jesus, sendo, por isso, considerada “bendita” por todas as gerações, Lucas 1.25 e 42, mas a Bíblia não aponta alguma condição especial de Maria como pessoa humana. O título “Mãe de Deus”, portanto, deve ser usado com cautela, embora devamos reconhecer que é apropriado se empregado para declarar divindade de Cristo em sua encarnação.

Os ensinos da mariologia comumente sustentados derivam da função dela como mãe de Jesus, porém, os mariólogos argumentam que, por ter possibilitado o nascimento do Deus Salvador, ela tem uma posição mais exaltada do que qualquer outra criatura, sendo a “Rainha do Céu”. Além disso, visto que sua maternidade foi indispensável à atividade redentora de Cristo, acreditam que ela é essencial para a derradeira perfeição espiritual de cada criatura. Desta forma, embora não tenha sido envolvida na criação física original, ela é a “Mãe das Criaturas de Deus” e a “Mãe dos Seres Humanos”, título conferido a ela por Ambrósio, por volta de 1100, e “Mãe dos Anjos”, com a denominaram a partir do século 13.

O dogma da participação de Maria na salvação que a torna corredentora ao lado de Cristo surgiu depois que Irineu contrastou a desobediência de Eva, que provocou a queda da humanidade, com a obediência de Maria, que “veio a ser a causa da salvação tanto para ela mesma quanto para a raça humana”. A partir do século 12 aparecem referências à sua obra redentora não somente no nascimento de Cristo, mas também na cruz. A maioria dos mariólogos insiste em ambas. Enquanto Jesus ofereceu sua pessoa impecável para aplacar a ira de Deus, Maria, cuja vontade estava em perfeita harmonia com a dele, ofereceu as suas orações. Os dois fizeram expiação pelos nossos pecados, embora a satisfação de Cristo fosse básica e totalmente suficiente.

O papel mediador de Maria inclui a sua atual intercessão pelos pecadores, visto que a piedade e a religiosidade popular considera Maria mais branda do que seu Filho Jesus Cristo, o Justo Juiz que não faz média com o pecado e nem com o pecador contumaz.

Em 1854, o Papa Pio IX decretou o dogma oficial sobre o papel exaltado de Maria a respeito de sua vida “imaculada”, ou seja, sem pecado, pois se Maria tivesse sido maculada uma só vez pelo pecado, seria inimiga de Deus e indigna de dar à luz a Jesus. Consequentemente, ela deve ter sido “imaculada”, isto é, totalmente livre de qualquer pecado, desde o momento em que foi concebida até a imaculada conceição e o fim de sua vida. Este dogma foi duramente combatido e rejeitado por Tomás de Aquino por não ter base bíblia e por ser absurdo. A imaculada conceição de Maria subentende que ela possuía a plenitude de graça de Deus e da unção do Espírito Santo, mas não sua impecabilidade. Todo ser humano é pecador, Rm 3.21-25.

Os mariólogos também ressaltam a virgindade perpétua de Maria. Esta inclui, em primeiro lugar, sua virgindade no parto: Jesus nasceu sem abrir qualquer parte de seu corpo; em segundo lugar, ela permaneceu virgem durante toda a sua vida. Os proponentes da virgindade perpétua quase sempre pressupõem que qualquer outra coisa contradiria a sua pureza. Finalmente, os mariólogos ensinam que, depois da sua morte, Maria foi elevada fisicamente ao céu. Porém, virgindade perpétua de Maria e sua impecabilidade foram questionadas e rejeitadas por Santo Agostinho e nenhuma referência bíblia à assunção de Maria há na Bíblia, sendo decretada como dogma da Igreja Católica Romana pelo Papa Pio XII, em 1950.

Os evangélicos rejeitam a mariologia e a mariolatria porque tais dogmas não têm fundamento bíblico. As Escrituras não mencionam sua conceição imaculada nem sua assunção. Sua perpétua virgindade é desmentida por referências às irmãs e aos irmãos de Jesus, Marcos 3.31 e 6.3; João 2.12 e 7.1-10; Atos 1.14 e GáIatas 1.19, mas os mariólogos alegam erroneamente que eram primos. Além disso, os evangelhos não apresentam Maria sem pecado.

A mariologia é um erro por exagerar na contribuição do ser humano para a redenção. Maria não é a “Mãe das Criaturas de Deus”, não é a “Rainha do Céu”, não é “Mãe dos Seres Humanos”, não é a “Mãe dos Anjos”, não é imaculada em relação ao pecado, não é a “Mãe de Deus”, não é corredentora e nem intercessora. Maria, por sua plenitude de graça e de unção do Espírito Santo foi habilitada para ser mãe de Jesus Cristo somente, merecendo, por isso, jamais adoração, devoção, reverência e culto, mas respeito e consideração por ser exemplo de comunhão, de intimidade, de amor, de obediência, de serviço e de submissão a Deus.

Seja você também, irmã, exemplo para seus filhos e tenha um Feliz Dia das Mães!

Pr. Fernando Fernandes